A vida é uma viajem. Você pode olhar pela janela e simplesmente ver tudo a se passar ou pode agir e mudar a direção.
Interessante, eu trilhava caminhos observando tudo, as plantas
e os animais. As montanhas e rios, um delírio após o outro. Caminhava na beira dos rios e sentia o frescor das águas nos
pés. O frescor da brisa no rosto acalentava o sol do meio dia.
Mas percebi que a cada momento que se passava, tudo estava ficando diferente. As águas, quase sem vida se evaporavam, os animais se foram e a face das
montanhas descobertas perderam sua beleza. Os cantos de pássaros cessaram.
Triste olhei para um pequeno posso de água que ainda lutava
para viver e vi o reflexo de uma criatura diferente de tudo que conhecia. Olhei para os lados e vi marcas de suas mãos em todos os lugares. Me assustei quando percebi que as marcas eram minhas.
Descobri que a criatura era eu. Não era quem eu
pensava. Eu mudei e transformei tudo ao redor. Me via em toda a parte. Minhas memórias me mostravam um lugar lindo que eu destruí, e isso me atormentava. Era tarde de mais. Não gostei
disso, mas foi o que fiz.
Eu queria saciar minhas vontades. Colhi todas as flores e
levei juntos os animais. Precisei de muita água, de espaço para então poder criar meu império. Limpei campos e sequei mananciais. Cavei poços, abri estradas, levantei casas e dominei os meus iguais. Tudo ficou cinza.
Era tarde de mais. Percebi que nada
tem sentido fora do lugar. Tudo se perdeu voltando para o lar. Descobri que
destruí minha única casa tentando criar outra que não tinha muitas moradas. Fui
egoísta.
Senti na pele o que eu fiz. Já não conseguia mais respirar, o ar estava cheirando mal. Não havia plantas ou rios. Boca seca clamava por frescor e proteção. Quem eu era? Quem sou? Eu gritei às estrelas mas nada
escutei. Só escuridão
encontrei.
Vi um reflexo numa suja poça de água e perguntei o que
era? O fim da vida me disse: um erro da evolução, a quebra da harmonia, humano.
Autor: Paulo Ricardo Pimenta da Cruz
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