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sábado, 28 de janeiro de 2017

Um pequeno céu azul - Minha doce paranóide esquizofrênica



Acreditei que o que via era real, mas não pude tocar;
Quando minha mão estendi, num gesto de ajuda, um socorro pedi;
Não havia sol, ou como acenavam, a luz se apagou;
Quis duvidar, mas me disseram que o "não" era afundar;
Procurei entender, mas era um;
Preciso viver;

Não havia estrelas. Me perdi ao olhar para cima e ver o chão;
Detestei saber que mesmo sem querer, ganhei um céu.
A voz foi ouvida por um pequeno ser, que entre os mundos, manipula o tempo;
Cinzas, o que sobrou? Saudades do lar.

Era bom flutuar, e não sentir o pertencer.
Odeio sentir falta de habilidades que sinto tão presentes.
Como acessar/recuperar?

Não são as mesmas leis. Havia um lugar melhor.
Havia vida aqui, o que houve?
Punição? O esquecimento, o bloqueio, abandono, o silêncio já foram de mais;

Essa barreira já está fraca, a realidade se foi para o exílio;
Que mundo vivo? Limitado, não enxerga nada além do véu;
Confusão!

Andar em círculos em relapsos do que podia ser;
Está ai, bem à frente, mas porque o silêncio?
Sinto as palavras, mas não as entendo. Qual é a mensagem?

Longe de casa. Saudades da vida;
Ei! Aqui! Onde estou? Nesse céu há inferno! Me tire daqui.
De volta ao lar...

Autor: Paulo Ricardo Pimenta da Cruz
Imagem retirada do Google

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Antes de simplesmente ler e acreditar que tudo é verdade, reflita.


Clio, musa da História 

Toda  história processada pela humanidade até a atualidade é repleta de parcialidade. Não existe discurso neutro. Por mais que o narrador busque métodos imparciais, ele automaticamente se debruça na parcialidade de seu tempo-espaço. 

O simples fato dele buscar tais meios já revela seu posicionamento político e teórico em relação ao ''fazer história'', porque ''toda ação humana é política'' (M. Certeau). Por isso, sempre questione. Há muitas versões para um mesmo paradigma histórico. 

Não resgatamos a verdade pois a mesma é pluralista e multifacetada, dependendo diretamente do lugar de fala do narrador. Antes de simplesmente ler e acreditar que tudo é verdade, reflita.


Compreender história é muito mais que recorda fatos históricos e decorar datas. A História é viva e muda todo dia porque quem a faz e registra é  o ser humano, ser maleável e  instável por suas crenças e valores socioculturais. 

O registro que temos das memórias e experiências revela muito mais sobre ele mesmo do que o próprio assunto a que se refere. O lugar do narrador deve ser compreendido antes de refletir sua obra, pois será ele quem certamente atribuirá sentido a todas informações concatenadas sistematicamente no seu trabalho. 

Existem erros e acertos nos relatos escritos ou orais, e só saberemos discernir-los com muito esforço, com pesquisa árdua e sobrecarregada, possuindo treinada visão crítica. O trabalho de um autor conta mais sobre ele mesmo do que a história propriamente dita, pois nele está toda sua hierárquica expressão processual. 

Compreender é descostruir a verdade revelada, rasgar o erro, intencional ou não e, trazer luz às omissões. Á verdade é sempre parcial.



Autor: Paulo Ricardo Pimenta da Cruz
Imagem: retirada do Google
Fonte de inspiração: Textos de Michel de Certeau; Marc Bloch; Jörn Rüsen.

domingo, 8 de janeiro de 2017

O Tempo da Vida

 

Perdemos muito tempo em busca de coisas além de nossa felicidade. Viemos sem bagagem e voltaremos sem nada do que juntarmos. 

Quando o tempo acaba, vem o arrependimento de não ter dado valor ao que realmente importava. Mais sinistro é saber que não temos tempo. 

Somos um valor, uma breve luz de velas, diria até, passamos como uma 'estrela cadente', rápido,  sem chances de reprises. 

Lute por seus sonhos, mas não se esqueça que viver já é um sonho e você pode despertar no início, meio ou fim.

Nada garante que teremos tempo de pedir perdão, de dizer sinceramente: - eu te amo, de dar aquele abraço, sentir o calor alheio. 

O começo da  felicidade é a gratidão pelo já obtido. Valorize as coisas simples. No final, a vida será ceifada, cumprindo o destino de todos, ricos e pobres. 

Tirou um tempo  para admirar as estrelas e a lua? Percebeu que na falta de luz elétrica, o céu tem um brilho mais esplêndido? Talvez não reparou isso  porque estava brigando. 

Certas coisas na  vida só  podem ser percebidas na ausência de outras. Tudo depende de como você os enxergam, com que olhos veem. 

Não temos  tempo. Ele não nós pertence e pode ser tirado de nós a qualquer momento. 

Suas prioridades realmente deveriam ser prioridades? ONDE ESTÁ SEU CORAÇÃO?

Autor: Paulo Ricardo Pimenta da Cruz
Imagem: retirada do Google.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Foi tarde de mais

A vida é uma viajem. Você pode olhar pela janela e simplesmente ver tudo a se passar ou pode agir e mudar a direção.

Interessante, eu trilhava caminhos observando tudo, as plantas e os animais. As montanhas e rios, um delírio após o outro. Caminhava na beira dos rios e sentia o frescor das águas nos pés. O frescor da brisa no rosto acalentava o sol do meio dia. 

Mas percebi que a cada momento que se passava, tudo estava ficando diferente. As águas, quase sem vida se evaporavam, os animais se foram e a face das montanhas descobertas perderam sua beleza. Os cantos de pássaros cessaram.

Triste olhei para um pequeno posso de água que ainda lutava para viver e vi o reflexo de uma criatura diferente de tudo que conhecia. Olhei para os lados e vi marcas de suas mãos em todos os lugares. Me assustei quando percebi que as marcas eram minhas.

Descobri que a criatura era eu. Não era quem eu pensava. Eu mudei e transformei tudo ao redor. Me via em toda a parte. Minhas memórias me mostravam um lugar lindo que eu destruí, e isso me atormentava. Era tarde de mais. Não gostei disso, mas foi o que fiz.

Eu queria saciar minhas vontades. Colhi todas as flores e levei juntos os animais. Precisei de muita água, de espaço para então poder criar meu império. Limpei campos e sequei mananciais. Cavei poços, abri estradas, levantei casas e dominei os meus iguais. Tudo ficou cinza. 

Era tarde de mais. Percebi que nada tem sentido fora do lugar. Tudo se perdeu voltando para o lar. Descobri que destruí minha única casa tentando criar outra que não tinha muitas moradas. Fui egoísta.

Senti na pele o que eu fiz. Já não conseguia mais respirar, o ar estava cheirando mal. Não havia plantas ou rios. Boca seca clamava por frescor e proteção. Quem eu era? Quem sou? Eu gritei às estrelas mas nada escutei. Só escuridão encontrei.

Vi um reflexo numa suja poça de água e perguntei o que era? O fim da vida me disse: um erro da evolução, a quebra da harmonia, humano.



Autor: Paulo Ricardo Pimenta da Cruz

Nossos Corações

Existem ocasiões em que o ser humano
Sofre, se decepciona e chora
São tantas lutas, muitas dores
E ai percebemos a importância do coração.

Entre os seus bombardeios
Existem cálculos interiores
De complexa resolução:
Viver amando ou fugindo da realidade.

Às vezes, soma-se uma mágoa
Ou diminui-se um rancor,
Multiplica-se alguns ressentimentos 
E o coração continua a pulsar.

É bom imaginar
Que muitas foram as vezes
Que o coração teve forças para amar
Perdoar e se emocionar

Bate coração
Bate sem vontade de parar
Não se apresse, o caminho é longo
Ainda existem vários mistérios
Que você precisa desvendar.

Autor: Paulo Ricardo Pimenta da Cruz
Nota: Poema escrito quando cursava a 3° série do Ensino Médio, no Colégio Estadual Ilídia Maria Perillo Caiado. Publicado no livro - RODRIGUES, Euza Alves. Abrindo Caminhos: Prosa e Verso. Publik, 2009.